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Maranews
Edição 15, 10/set/2003
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"Enquanto os homens exercem seus podres poderes: morrer, matar de fome, de raiva, de sede"...

                                              Caetano Veloso

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Sonho americano

 

Tenho família nos Estados Unidos, por esse motivo, eu e o meu marido, decidimos viajar de férias, partindo da Holanda, em 11 de setembro de 2001, para os Estados Unidos. Compramos as passagens antecipadamente... eu grávida de cinco meses do Aaron. Iríamos reunir toda a família na casa da minha irmã, em Washington. Minha mãe, que vive no Brasil, já estaria lá quando chegássemos.

Optamos por uma companhia aérea Islandesa, por ser reconhecida pela qualidade e bom preço. A desvantagem era fazer uma conexão na Islândia , mas uma conexão imediata. Já sabia que o clima da Islândia era muito frio; e a paisagem era semelhante a do planeta marte, árida demais. Mas não me interessei muito. Como disse, era para ser uma rápida mudança de vôo, pegando o avião no mesmo dia, com destino a Baltimore Washington, nos Estados Unidos.

Era terça-feira, 11 de setembro de 2001, duas da tarde  na Holanda ( 7 da manhã nos Estados Unidos) quando partimos para o tão planejado encontro familiar... Há mais de um ano não via a minha irmã, e minha mãe queria me ver grávida também. Minha gravidez corria bem e tinha autorização médica para voar.

Quando chegamos na Islândia o aeroporto em polvorosa,  os vôos com destino  à América, cancelados. Todos: Baltimore, Dulles, Pensilvânia, Nova York...  uns 4 ou 5 vôos, todos lotados. Eu estranhei a balbúrdia. Meu marido perguntou a um segurança local, o que estava acontecendo? Ele respondeu que era a terceira guerra mundial e nos falou sobre o ataque às Torres Gêmeas. A partir daí acompanhamos na TV que noticiava o fato intensamente.

A companhia aérea colocou ônibus e hotel  para que nos acomodássemos e, nesta mesma noite, teríamos uma reunião para discutir soluções... Eram duas opções apenas: ou aguardávamos os aeroportos americanos reabrirem, e caso fosse esta a decisão, cada pessoa pagaria sua própria diária no Hotel, pois a  companhia aérea pagaria o hotel somente naquela noite; ou poderíamos voltar para nossas casas em qualquer ponto da Europa e utilizarmos o bilhete novamente, num prazo de 2 meses. Eu e meu marido não poderíamos optar por isso, dado o tempo da minha gravidez eu não poderia voar... E as férias do meu marido estariam vencidas. Na bagagem, todos os presentes e sonhos para o reencontro. Decidimos ficar até o final desta história, ninguém acreditava que durasse mais de um ou dois dias o fechamento do espaço aéreo americano. 

Foram 3 noites de expectativa, frustração e tristeza...

Do quarto do hotel, para comer alguma coisa do outro lado da avenida, bem rápido para não perder nenhuma novidade. Sim, realmente estávamos em Marte, isolados e ávidos para mantermos comunicação com o mundo. No posto

em frente ao Hotel,  tinha Internet de graça e acompanhava os jornais do Brasil, que não informava precisamente quando os aeroportos americanos reabririam.

Na  manhã da quinta-feira,13, chega a boa nova. Poderíamos voar naquela tarde. Todos se alegravam, era o fim do martírio, da espera, do suplício, do retiro forçado ou pelo menos, pensávamos ser.

Fechamos a conta, pagamos na maior alegria de sair dali para o nosso destino.

Em pleno vôo, faltando 1h para desembarcarmos nos Estados Unidos, o comandante avisa que o espaço aéreo americano tinha sido  fechado novamente  e somente as linhas aéreas americanas estavam tendo permissão para pousar. Nossa companhia não era americana.

Não tínhamos autorização para pouso, conseguimos pousar no Canadá. De acordo com o comandante, as negociações para a nossa chegada continuariam... e só mais uma horinha, chegaríamos onde queríamos. As negociações se alongaram... Dentro dos aviões, todos os passageiros das três aeronaves da mesma companhia, na pista em Montreal no Canadá,  estavam há mais de 2 horas aguardando o sinal verde para nova decolagem e pouso nos Estados Unidos. Não conseguimos. Desembarcamos ali mesmo e pegamos nossas bagagens. Já eram quase 11h da noite, fadiga, stress, fome... Toda a tripulação voltou para a Islândia, deixando um recado: colocariam 5 ônibus para o restante do percurso de 13 horas.

Éramos mais de 300 passageiros, como iriam caber todos? Seria uma luta conseguirmos lugar neste ônibus, já que todos, já se deslocavam para formarem uma fila quase quilométrica. Os ônibus teriam destinos diferentes e para onde iríamos, Baltimore, tinha mais gente que qualquer outro lugar. Eu grávida de 5 meses seria um grande desgaste. Ficamos no aeroporto tentando dormir e o tempo passando... Os ônibus não chegavam e por causa da confusão, os funcionários locais, evacuaram a área da chegada dos ônibus, e a fila seria lá dentro, organizada pelos funcionários. Sugeri ao meu marido que  mostrasse o meu documento da gravidez a um dos organizadores, para termos prioridade no embarque. Não é assim com grávidas, crianças e idosos? Um dos primeiros lugares da fila, já reservados pra nós. Então partimos às 4h da manhã para mais 13h de viagem até o aeroporto de Baltimore. Chegamos sãos e salvos na sexta,dia 14.

Na terça-feira, 11, minha irmã já tinha ido nos buscar, mas teve o carro quebrado antes de chegar ao aeroporto. Não nos recepcionaria a tempo. Ainda bem que não chegamos. Ela sabia que havíamos saído da Holanda, com certeza chegaríamos lá. Quando soube do fechamento do espaço aéreo americano, já estava a caminho. A polícia dos Estados Unidos em pânico exigia que retirassem o carro, mesmo quebrado, do acostamento.

Meu cunhado que dirige uma cegonheira, teve que retirar o carro, com este veículo de 20 metros. Eles também passaram por maus momentos.

Já na sexta-feira, 14,  o nosso reencontro. Valeu a pena! Passamos 3 semanas reunidos. Depois disso, qualquer que fosse a situação estávamos juntos, em paz.. para realizar   o nosso sonho americano.

Libere um LIVRO!

 

 

O 11 setembro não será mais um aniversário fúnebre, e sim um

dia de troca de energia e doação. Nós o transformaremos em um

ato de criatividade e generosidade. Na manhã de 11 setembro 2003, saia com um livro, importante para você, nas mãos! Um livro que tenha mudado sua maneira de ver

o mundo. Ou que você acredite que possa mudar a vida de alguém. Escreva uma dedicatória... e o libere!  Libere-o sobre um banco, no metrô, em qualquer lugar ...  E você? Adote-o!  A mobilização será geral em Bruxelas, Paris, Florença e São Francisco.

Faremos isso também no Brasil e Portugal. Um grupo de escritores, leitores... liberará seus livros, em lugar público.

 

Colaborou: Ítala Holanda/ Francis Silva

maraparrela@brazilianpress.com